sexta-feira, 2 de março de 2012



Não sei como começar a falar ou descrever o que tá acontecendo, não sei se porque minha ficha ainda não caiu, ou caiu e eu não quero que caia, sei que desde a primeira vez que desabafei pela escrita, nunca mais parei, e quando escrevo é como se a metade da minha dor fosse embora, por mais que isso seja psicológico ou só ilusão minha, dentro de mim é isso que acontece, e a partir de hoje vou descrever tudo, do começo, da melhor maneira que eu conseguir. Essa é minha foto da formatura do ABC e esse homem de terno com esse sorriso de lado é o meu pai, e o que sinto por ele eu não preciso descrever aqui. Meu pai é o tipo de pessoa que demonstra seu amor de várias formas diferentes, ele é uma pessoa fechada, meio estressado e tímido por incrível que pareça, só conhecendo pra saber, mas só pra citar um exemplo? Quando vou dar um abraço nele, ele fica todo acanhado. Não costumamos trocar muito carinho, meio que por costume também,  mas sabia que nunca me incomodei com isso? Ele é o tipo de pessoa que sabe amar da forma dele, e eu sei aceitar o amor dele da maneira que ele me dar. É o tipo de pessoa que quando se estressa eu acho engraçado sabe? Quando ele não tá em casa, fica tudo meio quieto e calmo, entendem como é? É, eu entendo, e todos os dias eu espero pelo próximo grito dele, e não é um grito que ofende, é um grito que já me acostumei tanto que até parece que preciso ouvir todos os dias, eu sei que isso chega a ser engraçado, mas é verdade, cada um tem um jeito de se expressar e o jeito dele é esse. Não tem como conhecer e saber como ele é, mesmo eu descrevendo de todas as formas, só conhecendo e convivendo mesmo. 

Há oito anos atrás meu pai tinha um sinal preto e grande, ele era estranho, então ele fez uma cirurgia pra retirá-lo, ocorreu tudo bem. Três meses atrás, nasceu um nódulo no peito do meu pai, como ele é nervoso e odeia hospital ele deixou pra lá e demorou para ir ao médico, até que depois de tempos ele cresceu e depois nasceu outro no pescoço, já era urgente ele ter que ir fazer exame, então a minha mãe conseguiu convencê-lo de fazer um exame, e não deu outra, esse nódulo tinha que ser retirado, a cirurgia foi logo marcada.

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